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Neste dia 13 de setembro de 2019, há exatos dez anos, o Brasil ouvia pela última vez o hino nacional ser tocado na Fórmula 1. No GP da Itália, en Monza, Rubens Barrichello levou a Brawn ao oitavo triunfo naquela incrível temporada e sambou no degrau mais alto do pódio, conquista embalada pela última vez pelo famoso Tema da Vitória. Foi 101º triunfo de um piloto brasileiro no apogeu do automobilismo mundial.

 

A temporada 2009 viu uma nova e surpreendente equipe entrar no grid. Ao comprar o espólio do time Honda, Ross Brawn colocou na pista a recém-criada Brawn, que, empurrada pelo motor Mercedes, chocou o mundo da F1.
 

O começo de campanha foi realmente avassalador: das primeiras sete corridas disputadas do calendário, o time inglês conseguiu nada menos que seis vitórias, todas com Jenson Button. A única que escapou foi na China, com Sebastian Vettel conseguindo o degrau mais alto do pódio. Enquanto isso, no mesmo período, Rubens terminou seis vezes dentro do top-5 – sendo três no pódio.
 

Então, quando a categoria chegava à Itália, quem aparecia na primeira colocação da classificação era Button, somando 72 pontos. Não muito atrás, Barrichello era o vice-líder do campeonato, com apenas 16 tentos de desvantagem para o companheiro de Brawn. Vettel, ainda um jovem de pouco mais de 22 anos, mas já liderando a Red Bull, era o terceiro, com 53 pontos.

O mar de tifosi assistindo ao pódio em Monza (Foto: Bridgestone)

No treino que definiu o grid de largada para a prova italiana, quem conquistou a pole-position foi Lewis Hamilton, que cravou a marca de 1min24s066 pela McLaren. Grande surpesa do sábado foi Adrian Sutil. A bordo da Force India, empurrada também pelo motor Mercedes, o alemão ficou apenas 0s195 atrás do piloto da McLaren. Na segunda fila apareceram Kimi Räikkönen e Heikki Kovalainen, de Ferrari e McLaren, respectivamente, formando uma segunda fila totalmente finlandesa. Só então vieram os titulares da equipe capitaneada por Ross Brawn – Barrichello e Button, na ordem.
 

Na corrida, Hamilton conseguiu manter a ponta no início, enquanto Kimi e Sutil vinham na sequência. Enquanto isso, o brasileiro, assim como o colega inglês, conseguiram dar o bote em cima de Kovalainen para pularem uma posição cada, ficando em quarto e quinto.
 

A briga pela primeira colocação foi basicamente tática. A dupla da Brawn vinha em uma estratégia de apenas uma parada cada, enquanto o atual pentacampeão da Fórmula 1 correu para duas. Com Rubens e Jenson em bom ritmo e mais fortes que Lewis, conseguiram tomar a posição da McLaren quando o carro #1 passou pela segunda vez pelos boxes.
 

Com isso, a ordem na pista era Barrichello, seguido por Button, Hamilton, Räikkönen e Sutil, que tentava conseguir assumir a quarta colocação do finlandês. Mas as coisas ainda estavam para mudar próximo da bandeira quadriculada.

Barrichello comemora a vitória (Foto: Brawn GP)

Na penúltima volta, então, o piloto da McLaren tentou ultrapassar Jenson para assumir a segunda colocação. Entretanto, acabou escapando na segunda perna da curva Lesmo e atingiu a barreira de pneus, causando um safety-car e garantindo, de uma vez por todas, a vitória de Barrichello em Monza.

Após ter conquistada aquela que seria sua terceira vitória no circuito italiano, o brasileiro não escondeu a felicidade. “Monza sempre foi um ótimo traçado para mim e é maravilhoso vencer aqui novamente. Fizemos ótimas decisões neste final de semana e o trabalho que alcançamos na sexta foi a chave para o ajuste de hoje. Tivemos que pensar estrategicamente na classificação e nossa estratégia de apenas uma parada realmente se valeu”, disse na época.
 

“Tive uma ótima largada ficando na frente de Heikki e a partir de então o ritmo necessário para bater os carros com estratégia de duas paradas. Quero dizer um grande obrigado a todos na fábrica, aqui na pista e dos motores Mercedes, que desenvolvem um ótimo carro e motor. Estou pilotando um carro fantástico com a Mercedes e a equipe está fazendo um ótimo trabalho”, seguiu.
 

“Vai ser uma briga boa e saudável pelo campeonato nas próximas corridas e estou realmente ansioso por isso. Duas vitórias em três corridas e muito bom e vou dar meu máximo. E finalmente gostaria de dedicar essa vitória para meus dois filhos Eduardo e Fernando que fazem aniversário neste mês”, encerrou Rubens, que encerrou o campeonato em terceiro, atrás do campeão Button e o vice Vettel.

Barrichello recebendo a bandeirada da vitória (Foto: Bridgestone)

Ao GRANDE PRÊMIO, Barrichello relembrou com carinho o triunfo conquistado em frente aos tifosi. “Vencer em Monza naquele ano, chegar à minha 11ª vitória, sem dúvida, foi algo muito especial. Assim como todas as outras vitórias na Fórmula 1. Mas esse marco é algo que eu espero que não se estenda por muito tempo”, disse.
 

Entretanto, o atual piloto da Stock Car lamentou que nenhum representante do país esteja na categoria para conseguir novas vitórias. “É até estranho um país como Brasil, com tantos pilotos talentosos, estar sem vitórias na F1 há tanto tempo. Torço para que essa estatística mude em breve, para que possamos ter brasileiros correndo de novo na Fórmula 1 e vencendo a cada 15 dias”, completou.
 

A memorável vitória conquistada em frente aos tifosi não só marcou o último triunfo brasileiro na Fórmula 1 como também o último pódio de Barrichello na categoria – até porque, nas duas temporadas seguintes, e suas últimas na F1, esteve em uma Williams pouco competitiva e que não entregava condições de brigar pela ponta. O GP da Itália de 2009 também representou a última vitória da meteórica e inacreditável Brawn. No fim do ano, Ross vendeu a equipe para a Mercedes, que cinco temporadas depois viria a exercer domínio histórico na esteira da nova era híbrida de motores.

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Fonte Oficial: Grande Prêmio

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