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A Ferrari deu um recado importante e definitivo nesta manhã de segunda-feira (23). Ao ampliar o contrato de Charles Leclerc até 2024 e em uma fase tão precoce ainda das usuais negociações da chamada dança das cadeiras, a equipe vermelha deixa claro que não vai buscar nenhum nome de peso para tentar reconduzi-la ao caminho dos títulos na Fórmula 1. O futuro da esquadra mais icônica do grid é Leclerc e é com ele que Maranello pretende sair do incômodo jejum que vive desde 2008, quando foi campeã entre os Construtores pela última vez.

 

E faz sentido a escolha de Mattia Binotto e cia. No fundo, a equipe acertou ao cumprir a vontade do ex-presidente Sergio Marchionne, morto no ano passado, mas que havia manifestado em diversas ocasiões anteriores o desejo de ver Charles como titular, mesmo tão jovem e só com um ano de experiência na F1. Havia, claro, o temor de ‘queimar’ o talento diante da pressão que é correr pela Ferrari, além do fato de que a escuderia não tinha o hábito de promover pilotos com tão pouca quilometragem. Uma prova é que a dupla até 2018 era formada por dois campeões.

 

Só que Leclerc estava muito melhor preparado para encarar a Ferrari do que demonstrou durante as primeiras semanas em Maranello. O competidor nascido em Mônaco já havia dado sinais importantes do que era capaz ainda na Sauber, quando, depois de um início difícil, se acertou e conseguiu terminar a temporada com 39 pontos e a 13ª posição, massacrando o companheiro Marcus Ericsson.

Charles Leclerc vai seguir por muitos anos na Ferrari (Foto: Ferrari)

Já na Ferrari, Charles foi além das expectativas. É bem verdade que o monegasco começou 2019 como segundo piloto. Essa ideia vinha do natural discurso de Binotto, que dizia que Vettel teria todas as prioridades, ao menos no começo do ano. E, de fato, isso se concretizou. Apesar das investidas e até de questionar a equipe logo na estreia, na Austrália, Leclerc precisou aceitar que não poderia passar Sebastian.

 

O cenário mudaria drasticamente duas semanas depois, quando tirou proveito da melhor performance da Ferrari no Bahrein. Leclerc foi lá, fez a pole e, depois de perder a liderança, foi para cima do companheiro de equipe, como quem já quer demarcar território. Portanto, sem pedir permissão. Não fosse a falha no motor italiano, Charles teria vencido em Sakhir, enquanto Seb cometia o primeiro grande erro do ano. Na China, um novo episódio. Desta vez, era Vettel o mais rápido, e a Ferrari fez Charles abrir passagem. No entanto, o rapaz bateu o pé, em uma atitude que ecoaria pelo restante da temporada.

 

A primeira parte da temporada foi um pequeno esboço do que viria pela frente, com uma Ferrari confusa tentando resolver tudo com ordens de equipe. Leclerc também cometeu seus erros pela inexperiência, mas a coisa pegou mesmo no segundo semestre, quando a equipe italiana colocou na pista um carro veloz e mais competitivo. Charles não deu chances a Vettel. Venceu na Bélgica e na Itália, diante de milhares de tifosi e ganhou de vez Maranello.

Sebastian Vettel vai precisar de muito para seguir na Ferrari (Foto: Ferrari)

O sucesso causou problemas e feriu o tetracampeão, que endureceu bastante a disputa, culminando com o acidente entre os dois na parte final do GP do Brasil. A rivalidade entre os dois se acirrou demais, com ambos ignorando ordens de equipe, e com a Ferrari sem saber como lidar. Mas, apesar de tudo, a verdade é que alemão saiu enfraquecido da disputa e atrás do monegasco na classificação final.

 

E o categórico vínculo agora molda uma nova realidade. A Ferrari acaba por dizer que Leclerc assume uma posição de destaque, que as atenções estão agora voltadas para ele. E o que será de Vettel? O contrato do alemão termina no fim de 2020. Será uma decisão importante e vai depender muitíssimo do tipo de temporada que Seb terá. É correto dizer também que o tetracampeão tem apenas um caminho se quiser seguir em Maranello: tem de vencer. Ou vai perecer.

 

O outro ponto que se levanta é Lewis Hamilton. Os últimos dias da temporada foram marcados por intensas manchetes sobre uma possibilidade de o hexacampeão, cujo contrato com a Mercedes acaba igualmente no fim de 2020, vestir vermelho a partir de 2021. Mas com Leclerc assumindo esse posto de protagonismo, já parece claro que essa mudança dificilmente deve acontecer.

 

A equipe vermelha já fez a escolha dela. É Charles quem vai liderar Maranello e não parece mais que há espaço para multicampeões.

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Fonte Oficial: Grande Prêmio

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