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Depois de longos 392 dias e 22 GPs, Sebastian Vettel finalmente reencontrou a vitória na F1. O tetracampeão mundial largou em terceiro no GP de Singapura deste domingo (22), mas aliou a pilotagem segura dos velhos tempos com o trabalho de excelência da Ferrari no pit-stop. Quem não gostou muito foi Charles Leclerc, que foi superado pelo alemão depois das paradas para troca de pneus. E o erro de estratégia da Mercedes ao chamar Lewis Hamilton bem mais tarde para os boxes também ajudou Vettel, que se segurou na frente para triunfar em Marina Bay em uma corrida que começou morna, mas que tornou-se insana com nada menos que três intervenções do safety-car.

Apedar da insatisfação de Leclerc, o monegasco acabou por ajudar a Ferrari a quebrar outro jejum. Pela primeira vez desde o GP da Hungria de 2017 a escuderia de Maranello não garantia uma dobradinha na F1. É, também, a terceira vitória consecutiva do time italiano, desta vez com Vettel.

Sebastian Vettel quebrou longo jejum e voltou a vencer na F1 (Foto: Ferrari)

A Mercedes, que despontava como uma das grandes forças do fim de semana em Singapura, decepcionou. Vítima da estratégia que não deu certo, Hamilton terminou apenas na quarta colocação depois de ter sido superado pela Red Bull de Max Verstappen, que garantiu um lugar no pódio. Insosso, Valtteri Bottas fez outra corrida sem graça na F1, largou e terminou em quinto, ficando pelo menos à frente da Red Bull de Alexander Albon.

Lando Norris foi o ‘melhor do resto’ e colocou a McLaren em sétimo lugar, logo à frente de Pierre Gasly, que fez bela corrida com a Toro Rosso ao segurar Nico Hülkenberg, que vinha com pneus mais novos na fase final da corrida. E Antonio Giovinazzi, que conseguiu o feito de chegar a liderar a prova, foi o décimo colocado.

A 16ª etapa da temporada acontece já neste próximo fim de semana com a disputa do GP da Rússia, que tem seu lugar em circuito cravado no Parque Olímpico de Sóchi. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

Saiba como foi o GP de Singapura de F1

A largada da 15ª etapa da temporada foi bastante limpa, sem qualquer incidente entre os pilotos da frente. Leclerc manteve a dianteira, com Hamilton em segundo, com Vettel pressionando o pentacampeão. Quem levou a pior foi Carlos Sainz, que partiu em sétimo lugar, mas teve um pneu furado inda no começo da primeira volta após ser acertado por Nico Hülkenberg. George Russell também enfrentou problemas e teve de ir aos boxes.

Leclerc puxava a fila com o top-6 inalterado em relação à largada, mas Hamilton conseguia se aproximar e reduzir a vantagem para menos de 1s. O ritmo do líder indicava uma estratégia de poupar ao máximo os pneus macios antes do pit-stop. Lando Norris era o ‘melhor do resto’, em sétimo, mas não incomodava Alexander Albon, da Red Bull. Antonio Giovinazzi vinha em oitavo, com Kevin Magnussen e Pierre Gasly fechando o top-10.

Charles Leclerc mantém a dianteira em Singapura após a largada (Foto: Singapore GP/Twittter)

Numa corrida em que quase ninguém ultrapassava, Daniel Ricciardo conseguia seu destaque. Depois de ter largado em último, o australiano já aparecia em 13º na volta 9 e pressionava a Toro Rosso de Daniil Kvyat, que aparecia logo à sua frente. Duas voltas depois, Ricciardo passou o russo e Stroll, que vinha logo atrás, tirou proveito da manobra e também colocou seu carro à frente da Toro Rosso.

Era uma corrida pra lá de morna, quase sem manobras de ultrapassagem. Fora do top-10, Sergio Pérez e Kvyat fizeram seus respectivos pit-stops, passando a usar os pneus médios. Logo na sua primeira volta depois de trocar os compostos, o russo chegou a aferir a volta mais rápida da prova. Pouco depois, chamou a atenção uma briga incomum no pelotão intermediário, com Robert Kubica se segurando em P15 antes de ter sido ultrapassado por Kimi Räikkönen. O polonês se defendeu ‘na raça’, mas não conseguiu segurar os carros que vinham logo atrás.

Ainda no pelotão intermediário, Hülkenberg sofria, lutava, mas não conseguia passar a Haas de Romain Grosjean. Lá na frente, Hamilton não conseguia se aproximar de Leclerc e reportava grande desgaste dos pneus macios. Mas o primeiro dentre os ponteiros a fazer o pit-stop foi Vettel, sendo seguido por Verstappen na abertura da volta 20. Ferrari e Red Bull optaram por pneus duros para o segundo stint. Entrava em jogo a estratégia.

Antonio Giovinazzi chegou a liderar o GP de Singapura (Foto: Alfa Romeo)

Hmilton tinha pneus gastos, mas Leclerc também lidava com a mesma situação. Assim, o pentacampeão chegou perto, ficou a menos de 0s6 atrás do monegasco que, sem alternativas, fez seu pit-stop na abertura da volta 21. Lewis tinha a pista livre para tentar o ‘undercut’ e ganhar a liderança depois da troca de pneus. Quando voltou à pista, Leclerc voltou atrás de Vettel.

A Mercedes manteve Hamilton e Bottas ainda sem pit-stops, cenário que durou até a volta 23, quando o finlandês foi chamado para trocar os pneus macios pelos duros. Mas as previsões da cronometragem da F1 indicavam que tanto Vettel como Leclerc conseguiriam passar Hamilton após sua parada.

Foi neste momento em que a prova reservou um momento surreal. Lewis ainda liderava. Até aí, normal. Mas Giovinazzi figurava em segundo lugar, com Gasly, Ricciardo e Stroll fechando o top-5. Claro que era uma situação de momento, mas, ainda assim, bem inusitada.

Hamilton finalmente fez seu pit-stop na volta 27. A parada levou ao inacreditável: Giovinazzi na frente do GP de Singapura. Era a primeira vez, desde o GP da Inglaterra de 2015 — no caso, com Bottas a bordo da Williams —, que um carro fora do trio ‘Mercedes-Ferrari-Red Bull’ liderava uma prova. O #44 da Mercedes foi ultrapassado, dentre os pilotos das equipes de ponta, por Vettel, Leclerc e Verstappen, voltando à frente de Bottas e Albon.

Lewis Hamilton lutou com o desgaste dos pneus macios em Singapura (Foto: Mercedes)

Com 28 voltas, o top-3 era formado por Giovinazzi, Gasly e Ricciardo. Stroll vinha logo atrás antes de ter sido superado por Vettel, Verstappen e Leclerc. Seb superou a Renault do australiano no giro seguinte, tendo Gasly e Giovinazzi logo à frente. Com bravura, o alemão dividiu a curva lado a lado com a Toro Rosso do francês para subir para segundo, tendo apenas o italiano a superar. Manobra que aconteceu na volta 31, com o tetracampeão assumindo como líder de fato em Marina Bay.

Sem a mesma performance dos pneus médios com mais de 30 voltas e com o carro inferior, Giovinazzi era presa fácil para os ponteiros. O italiano foi ultrapassado por Hamilton, Bottas e Albon. Ricciardo, que vinha logo atrás, também tentou o bote, mas Antonio jogou duro e os dois se tocaram. Levou a pior o australiano, que teve o pneu traseiro direito furado. Na volta 35, o piloto da Alfa Romeo finalmente fez seu pit-stop.

Romain Grosjean joga George Russell no muro em Singapura (Foto: F1/Twitter)

Foi na volta 36 que veio o primeiro safety-car da corrida. Romain Grosjean tentou passar a Williams de George Russell, mas tocou no carro do britânico, que bateu no muro. Por um momento, a direção de prova acionou apenas a bandeira amarela no segundo setor antes de mandar de vez o SC à pista. Foi o primeiro abandono de um carro da Williams em toda a temporada.

Durante o período de SC, Leclerc se mostrava inconformado por ter perdido a liderança para Vettel. “Sinceramente, não entendo o undercut, o que aconteceu. Vamos discutir isso depois da corrida”, afirmou o jovem via rádio.

O safety-car deixou a pista na volta 41 para a aguardada relargada em Singapura. Vettel segurou ao máximo o pelotão antes de abrir a volta sob bandeira verde. Leclerc, Verstappen, Hamilton, Bottas e Albon vinham logo atrás, com Norris aparecendo em sétimo. Na ‘zona da confusão’, Stroll e Gasly se tocaram, com o canadense levando a pior com um pneu furado. E Giovinazzi, que havia brilhado na cidade-estado, vinha em P14 depois da troca de pneus, ficando logo à frente de Ricciardo.

O abandono de Pérez na volta 44 causou nova entrada do safety-car em Singapura (Foto: F1/Twitter)

A desastrosa corrida da Racing Point ganhou mais um capítulo com o abandono de Pérez na volta 44. O SC voltava à pista pouco depois. Stroll aproveitou a bandeira amarela para voltar aos boxes e calçar seu carro com pneus macios.

Antes da relargada, Leclerc voltava a esbravejar no rádio depois de responder à seguinte chamada da equipe. “Queremos que chegue com o carro são e salvo na garagem”. O piloto se revoltou. “Sim, eu também. Não farei nada estúpido, mas não acho que seja algo justo”, falando ainda sobre a forma como perdeu a liderança para Vettel.

A bandeira verde tremulou na volta 48 com Vettel puxando o pelotão, Leclerc logo atrás e Verstappen em terceiro. Grosjean voltava a trocar tinta do carro, daquela vez com Ricciardo. No grupo dos dez primeiros, Hülkenberg superava o ‘inimigo’ Magnussen para subir à nona posição, andando logo atrás de Gasly, outro que fazia corrida bastante honesta. E Giovinazzi conseguia o feito de passar o companheiro de equipe Räikkönen, que vinha lento.

Na volta seguinte, Kimi dividiu a curva 1 com a Toro Rosso de Kvyat, os dois bateram, mas o ‘Homem de Gelo’ levou a pior e abandonou a prova. O safety-car entrava na pista pela terceira vez. A bandeira amarela durou pouco, e os pilotos relargaram na volta 51.

Vettel abriu boa vantagem na ponta e seguiu rumo a uma vitória redentora, quebrando uma seca que durou quase 13 meses sem subir no topo do pódio da F1. Leclerc terminou logo atrás, sacramentando a dobradinha da Ferrari, enquanto Verstappen completou o top-3 depois de segurar a pressão derradeira de Hamilton. Bottas, com outra corrida sem brilho, terminou onde começou, em quinto, à frente da Red Bull de Albon. Norris foi o sétimo, com Gasly finalizando em oitavo, seguido por Hülkenberg e Giovinazzi, um dos personagens do domingo em Singapura.

F1 2019, GP de Singapura, Marina Bay, final:

1 S VETTEL Ferrari 61 voltas  
2 C LECLERC Ferrari +2.641  
3 M VERSTAPPEN Red Bull Honda +3.821  
4 L HAMILTON Mercedes +4.608  
5 V BOTTAS Mercedes +6.119  
6 A ALBON Red Bull Honda +11.663  
7 L NORRIS McLaren Renault +14.769  
8 P GASLY Toro Rosso Honda +15.547  
9 N HÜLKENBERG Renault +16.718  
10 A GIOVINAZZI Alfa Romeo Ferrari +17.855  
11 R GROSJEAN Haas Ferrari +35.436  
12 C SAINZ JR McLaren Renault +35.974  
13 L STROLL Racing Point Mercedes +36.419  
14 D RICCIARDO Renault +37.660  
15 D KVYAT Toro Rosso Honda +38.178  
16 R KUBICA Williams Mercedes +47.024  
17 K MAGNUSSEN Haas Ferrari +1:26.522 NC
18 K RÄIKKÖNEN Alfa Romeo Ferrari +12 voltas NC
19 S PÉREZ Racing Point Mercedes +19 voltas NC
20 G RUSSELL Williams Mercedes +27 voltas NC
           
VMR K MAGNUSSEN Haas Ferrari 1:42.301  
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Fonte Oficial: Grande Prêmio

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